Cannabis medicinal no Brasil: Orgânica ou Convencional?

O aumento do consumo de produtos a base de Cannabis nas últimas décadas, ao redor do mundo, gera diversos debates sociopolíticos e científicos. Nos países europeus, por exemplo, órgãos de pesquisa e pesquisadores estimaram o consumo anual de 1000 a 7000 toneladas de Cannabis, na década passada.   

Quando abordamos a temática do consumo destes produtos para fins medicinais, concluímos que os indivíduos que os consomem são pessoas vulneráveis, geralmente doentes. No entanto, em todos os países onde a ingestão medicinal deste vegetal é permitida, nos deparamos com um grande e consonante problema.

O uso de agrotóxicos durante a produção da matéria prima. 

Muitas vezes quando compramos algum produto em qualquer estabelecimento comercial, não visualizamos todo o caminho que este percorreu, desde a produção agrícola, mão de obra envolvida, processamentos industriais, transporte e distribuição, entre outros.

Como o uso medicinal de produtos a base de Cannabis já é um horizonte tangível aos olhos dos brasileiros, sobre a produção agrícola desta planta, temos a obrigação de exigir que seja um processo seguro para que este remédio possa chegar à pacientes que tanto precisam dele.

Em todos os países onde é permitida a produção de Cannabis, é comum a utilização de insumos químicos (principalmente pesticidas) em sua maioria tóxicos para humanos e outros animais durante sua produção, assim como é comum em outras culturas alimentícias. Como podemos observar na imagem informativa retirada da base de dados da Food and Agriculture Organization of the United Nations – FAO. 

 

Porém, quando estamos falando sobre um medicamento, o consumo de uma substância médica contaminada com agroquímicos pode acarretar em outras enfermidades ao paciente que está ingerindo, visto que, normalmente são pessoas com o sistema imunológico debilitado. Com isso, há a exigência dos pacientes para que a produção desta cultura aconteça de forma segura, proporcionando um produto final que possa ser consumido sem preocupações de existência de substâncias químicas ou tóxicas.  

Resultados de um estudo publicado em 2013, demonstram que resíduos químicos presentes em Cannabis medicinal, foram transferidos diretamente para a fumaça da queima do material e por fim direcionada ao consumidor. Ou seja, o paciente é contaminado com agrotóxicos através de seu medicamento.

 Em outros países onde a Cannabis foi legalizada para produção de medicamentos, fibras, sementes ou flores, nota-se que tornou rapidamente uma commodity. No Brasil é de se esperar que também se torne, assim como a soja, milho e outras culturas. Sabemos que não somos um exemplo sobre utilização consciente de agrotóxicos, e que nossa população é a que mais consome pesticidas (mais de US$ 10 bilhões anualmente).

Entretanto, sabemos também que mesmo produções de grande escala, seja monocultivos ou não, é possível a produção sob manejo orgânico. A produção orgânica é definida pela Lei N° 10.831, de 23 de Dezembro de 2003, a qual:

“Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente.”

 Atualmente vemos o crescimento da produção de commodities orgânicas com o exemplo da soja, que no ano de 2018 produziu aproximadamente 15 mil toneladas do grão no estado do Paraná, que é o principal estado brasileiro em produção orgânica. Também podemos citar grandes empresas que produzem grandes culturas do forma orgânica, como a Native, com produções em grande escala de cana de açúcar entre outros. A Toca orgânicos que se caracteriza como um polo de produção orgânica em grande escala, produzindo desde hortaliças à grãos e produtos de origem animal como leite e ovos.

Entretanto, é necessário elucidar o mito de que toda produção orgânica é utópica. É possível também, a contaminação de alimentos ou produtos agrícolas através de adubos de origem orgânica, visto que há uma escassez de popularização de estudos sobre quais adubos e suas dosagens corretas utilizar. Outro, é que toda produção orgânica visa favorecer positivamente as condições ambientais dos agroecossistemas, sendo que muitas vezes, este modo de produção apenas modifica a utilização de insumos de origem química à orgânica.

Por fim, não faltam exemplos para quebrar o mito de que não é possível produzir em grandes escalas sem a utilização de insumos químicos como agrotóxicos, adubos químicos entre outros. Entretanto, para reafirmar que será possível produzir Cannabis sob manejo orgânico em nosso país, citamos o exemplo da empresa multinacional The Green Organic Dutchman, que tem sede em Ontário, Canadá, que espera produzir 170 toneladas de Cannabis orgânica neste ano. Esta empresa e outras estrangeiras, enfrentam dificuldades climáticas para suas produções, seja orgânica ou não, por características edafoclimáticas muitas vezes desfavoráveis para produzir Cannabis. A empresa ADWA Cannabis já mostrou, com seu relatório agronômico que em nosso país, a produção desta cultura será viável com custos reduzidos pelas características edafoclimáticas específicas de alguns locais. Para saber com detalhes onde produzir Cannabis no Brasil, adquira o relatório completo

Com a população mundial em crescente conscientização ecológica, paralelamente com a demanda por alimentos saudáveis e a busca por estilos de vida saudáveis cada vez maior no século XXI, não há dúvidas que a produção de medicamentos, fibras e sementes advindos de Cannabis devem ser originárias de uma produção orgânica desta futura commodity brasileira. 

O consumidor terá um papel essencial neste processo, já que o mercado se transforma a partir da escolha deste e em consequência as diferentes formas de produção se alteram. Nós da ADWA Cannabis, acreditamos que para que medicamentos a base desta cultura cheguem à população e sejam utilizados sem causar males devido a intoxicações por agroquímicos, devem ser realizadas cada vez mais pesquisas adaptadas às realidades brasileiras.

¹ Dados coletados do documento “EMCDDA* INSIGHTS Cannabis production and markets in Europe” 

*European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction

Adwa Cannabis

Adwa Cannabis

Uma empresa de desenvolvimento de pesquisas e tecnologias voltadas para a cadeia produtiva de Cannabis.