maconha e coronavírus

Como todos sabemos, no ano de 2019 iniciou uma pandemia causada por uma doença com potencial de contágio muito alto. Essa doença é chamada de Covid-19 e se espalhou por todo o mundo, tornando-se um grande problema que afetou a todos. Atualmente, apenas no Brasil essa doença já causou mais de 240 mil mortes no dia da publicação deste texto. No momento temos algumas vacinas e formas de tratamento que ainda não são acessíveis para a maioria das pessoas.

Nessa hora você  deve estar se perguntando: “Mas o que a maconha tem a ver com o coronavírus?” Segundo estudos realizados pela universidade de Lethbridge, no Canadá, a cannabis pode ser uma grande aliada na prevenção da infecção pelo vírus. Vamos entender como isso funciona.

Sabe-se que o coronavírus usa uma enzima chamada ACE2 auxiliada por outra enzima chamada TMPRSS2 como receptores para infectar as células dos tecidos das vias respiratórias e digestivas. Quando nosso corpo é infectado por um microorganismo, nossos leucócitos, que são células de defesa, produzem uma proteína chamada interferon, que interfere na reprodução do microorganismo. 

O grande problema é que segundo estudos realizados por especialistas do Hospital Infantil de Boston e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts,o interferon é um estimulador da produção da enzima ACE2, o que potencializa a capacidade do SARS-Cov2 de entrar no nosso corpo. A enzima ACE2 é importante para o nosso corpo contra lesões, principalmente nos pulmões. Mas, por ser alvo de ataque do SARS-Cov2, o aumento no nível da enzima pode apresentar consequências, facilitando a infecção do organismo ou agravando os sintomas após a infecção.

No estudo da universidade de Lethbridge foram analisadas 22 linhagens de Cannabis, com 4 plantas de cada linhagem dentre as mais de 800 cultivadas pela universidade para fins de pesquisa. Esse estudo foi realizado com modelos de tecido da boca, vias respiratórias e do intestino delgado, caracterizando vias respiratórias e digestivas. Os modelos da boca e intestino foram previamente tratados com pró inflamatórios e todos foram utilizados para análise de expressão do gene ACE2. O gene ACE2 decodifica a enzima que recebe o mesmo nome. Foi analisada também a quantidade de enzimas no organismo. Os estudos buscaram identificar se a aplicação dos extratos de cannabis utilizados no experimento surtiram algum efeito nos tecidos.

Num primeiro experimento, duas de quatro linhagens analisadas diminuíram consideravelmente os níveis da expressão do gene na epiderme da boca. Já nos estudos com o tecido epitelial da traquéia, quatro de 10 linhagens diferentes apresentaram resultados significativos tanto em relação à expressão gênica quanto ao nível de enzimas. O resultado encontrado nos tecidos do intestino apresentou um dado curioso, apenas uma linhagem de nove testadas apresentou resultados significativos em relação à regulação do gene, mas 5 dessas linhagens se mostraram efetivas na regulação do número de enzimas no corpo. O grupo testou os efeitos dos extratos na expressão do gene responsável pela decodificação da enzima TMPRSS2, sendo que cinco de nove linhagens obtiveram resultados consideráveis.

E qual foi a conclusão deste estudo? Bom, primeiramente devemos ter em mente que o estudo ainda não obteve replicações a fim de comprovar suas conclusões. Mesmo que seus resultados sejam promissores, ainda não podemos afirmar que a cannabis tem uma relação benéfica para a prevenção do coronavírus. Além disso, o ato de fumar traz consequências graves para os alvéolos pulmonares e a temperatura da fumaça inalada causa danos aos tecidos respiratórios deixando a pessoa mais suscetível ao ataque de patógenos.

Os dados que os pesquisadores encontraram mostram que a cannabis tem relação com o nível de expressão da enzima que é mais atacada pelo coronavírus, sendo assim o controle da expressão da enzima pode prevenir a infecção pelo vírus. O uso de extratos e vaporizadores já foi sugerido para os profissionais de saúde como uma barreira a mais para prevenir o contágio. Os pesquisadores ainda citam que a vaporização, o uso de extrações e óleos podem ser formas de tratamento e prevenção da infecção pelo coronavírus, e deixam claro que a cannabis apresentou resultados cruciais, mas ainda são necessários maiores estudos sobre essa questão para que um tratamento possa ser desenvolvido a partir da planta.

Mesmo que estudos a fim de avaliar a eficiência da cannabis contra COVID-19 ainda estão em andamento, já são diversas as comprovações científicas da utilização de extratos originários de plantas de cannabis para doenças como: Esclerose Múltipla, Epilepsia, Autismo, Glaucoma, Síndrome de Parkinson e outras. O que também já foi comprovado é o potencial produtivo desta espécie no Território Brasileiro, para entender quais são os melhores locais para cultivo para cada finalidade ou por quê, confira nosso relatório completo de potencial para o cultivo de Cannabis medicinal e industrial. 

Referências:

  1. Digas tudo podcast ep 01 – “Cannabis mata coronavírus?” – https://anchor.fm/digas/episodes/Maconha-mata-CORONAVRUS-effb08 
  2. “Procura por estratégias preventivas: novos extratos anti-inflamatórios de Cannabis sativa com alto teor de CBD modulam a expressão de ACE2 em tecidos de risco da COVID-19” In Search of Preventative Strategies: Novel Anti-Inflammatory High-CBD Cannabis Sativa Extracts Modulate ACE2 Expression in COVID-19 Gateway Tissues
  3. “A expressão de ACE2 é aumentada nos pulmões de pacientes com comorbidades associadas a COVID-19 grave” ACE2 Expression is Increased in the Lungs of Patients with Comorbidities Associated with Severe COVID-19

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