O novo plástico

A retomada das atividades pelos comércios e indústrias no Brasil trouxe algumas reflexões à tona. O contexto nos fez refletir sobre nosso modelo produtivo, que teve de se adaptar à crise sanitária, mas também sobre a matéria prima que utilizamos, o plástico.

A escassez de resinas como poloetilenos (PE), polipropilenos (PP) e policloreto de vinila (PVC), essenciais para produção de plásticos, tubos e conexões usados na construção civil tem afetado diretamente o preço final para o consumidor. Os reajustes são de 25% a 35% no preço dos insumos. 

Perante esse cenário de crescente aumento no preço das resinas essenciais para a indústria e a queda constante de disponibilidade das mesmas, por ser um recurso finito e de longa reposição, algumas empresas estão buscando novas alternativas mais baratas e menos agressivas ao mundo para poder manter preços competitivos no mercado. Ironicamente, a saída para o dilema de insumos pode estar em um velho conhecido da indústria dos plásticos, o cânhamo. 

Ainda nos anos 1940, um visionário iria revolucionar a indústria automobilística com um protótipo mais leve, mais resistente e completamente sustentável, desde a carcaça do carro até o combustível utilizado, sendo todo à base de cânhamo. O nome do empreendedor era Henry Ford, fundador da multinacional FORD, e seu novo projeto se chamava Hemp Car. Essa inovação só foi possibilitada pelo uso de uma alternativa ao plástico comum como base do projeto, o Bioplástico extraído do cânhamo. Infelizmente o Hemp Car nunca pôde chegar ao mercado devido à proibição da cannabis nos EUA na década de 40, que tornou impossível ressaltar as vantagens da fibra da planta em meio a tanta propaganda negativa da mesma. 

Há muitos anos já é notório o conhecimento da ciência sobre as formas e vantagens do uso do cânhamo para produção industrial. Apesar de muitas legislações mundo afora não permitirem o uso da cannabis para esses fins, isso está mudando rapidamente. Existem muitas iniciativas de pesquisa e produção de Bioplástico através do cânhamo, que pode ser o substituto perfeito dos plásticos de origem fóssil. 

Além do cânhamo, o Bioplástico pode ser extraído através de outros dois insumos, a madeira e o algodão. Para definir a partir de qual cultura será produzido, é importante analisar a porcentagem de celulose presente na matéria prima, pois ela é um dos componentes essenciais desse material. O algodão e a madeira têm, respectivamente, 90% e 40% de celulose, enquanto o cânhamo tem em torno de 65% a 75%. A primeira vista, o algodão parece ser a escolha óbvia para a produção de Bioplástico, porém é necessário levar em consideração nuances de cada cultura para escolher a mais viável. Por exemplo, a concentração de celulose no algodão pode ser maior, porém o cânhamo gasta 50% a menos de água durante o plantio e até 300% a menos durante o processamento das fibras. Além da planta se desenvolver rapidamente, podendo ter de dois a três ciclos por ano e somente o caule e as fibras serem utilizados na produção, podendo dar utilidade às folhas e sementes em outras indústrias como a têxtil e de construção civil. 

Atualmente a sociedade se encontra em um dilema, onde os insumos para a produção de plástico estão se tornando cada vez mais escassos, os preços estão aumentando e uma mudança legislativa pode impactar dezenas de setores e indústrias, ainda contribuindo na luta por uma relação mais harmônica com o meio ambiente. Muitas empresas já começaram a desenvolver Bioplásticos à base de cânhamo ao longo do mundo, se preparando para a nova onda de inovação que chegará e aqui no Brasil não poderia ser diferente. 

Empresas como a Sana Packing, situada nos EUA, que produzem Bioplásticos 100% baseado em cânhamo e ainda utilizam, em parceria com a Oceanworks, plásticos reutilizados que haviam sido despejados nos oceanos, são o futuro da indústria do plástico. Gigantes do plástico há décadas, a marca de brinquedos Lego afirmou estar desenvolvendo brinquedos feitos a partir de base biológica,se afastando das origens fósseis, de acordo com o gerente de engajamento ambiental Matt Whitby. Estes tipos de movimentos dentro do mercado dão pistas de como o uso de alternativas ao plástico convencional está crescendo cada vez mais e pode não demorar muito para se tornarem protagonistas.

Pensando no potencial produtivo do Brasil e das inúmeras possibilidades de uso do cânhamo, a ADWA Cannabis trabalha na linha biotecnológica para a cadeia produtiva da cannabis. Para isso, foi feito um relatório de potencial agrícola da cannabis em todo o Brasil, você pode acessar clicando aqui.

Fontes:

Bioplásticos feitos de cânhamo são alternativa viável aos plásticos à base de petróleo – https://razoesparaacreditar.com/canhamo-solucao-poluicao-plastica/  

Hemp Could Be the Solution to Our Plastic Pollution Crisis – https://www.greenentrepreneur.com/article/332685 

Falta de matéria-prima na indústria do plástico afeta alimentos e construção – https://www.agazeta.com.br/amp/es/economia/falta-de-materia-prima-na-industria-do-plastico-afeta-alimentos-e-construcao-0920 

Bioplástico de cânhamo – https://www.thegreenhub.com.br/bioplastico-de-canhamo/ 

Adwa Cannabis

Adwa Cannabis

Uma empresa de desenvolvimento de pesquisas e tecnologias voltadas para a cadeia produtiva de Cannabis.