Plantas e Mitos – Parte II

A cana e o tabaco

No primeiro texto desta série, sobre Plantas e Mitos, foi feita uma análise sobre a proibição de duas plantas em diferentes locais e momentos da história, o café e a erva mate, que apresentam grande importância na sociedade, cultura e economia do nosso país. A condição passada dessas plantas se assemelha ao estado de ilegalidade da Cannabis, onde instituições ou indivíduos de poder demandam suas proibições e proclamam quem consome ou não tais espécies vegetais ou seus respectivos produtos.

Visto que a utilização do café e erva mate trouxeram e trazem diversas características positivas para a sociedade, aliada à enorme expansão do consumo de ambas, é quase impossível visualizar suas proibições em nossa atualidade. Porém, além destas drogas que agregam um tom de desenvolvimento social e econômico, há outras que hoje são legais e podem não ser tão ou tampouco positivas para as populações em geral, porém, economicamente favoráveis.

Neste texto, iremos conhecer um pouco mais sobre duas outras plantas, legais em nossa sociedade, para produção, consumo e extração de seus componentes para elaboração de diversos produtos, desmistificando alguns outros mitos sobre ambas. A cana-de-açúcar e o tabaco.

Saccharum officinarum

Quando falamos sobre drogas em nossa era moderna, não podemos deixar de citar a tão versátil Cana-de-açúcar. Essa, em nosso país, acima de tudo, é um símbolo e uma marca histórica de nosso processo de colonização.  

Embora o açúcar não seja considerado popularmente como uma droga, pode ser  tratada dentro dos padrões de outras substâncias psicoativas, já que, o  consumo abusivo da mesma pode trazer diversos danos à saúde humana. Um fato que traduz esta informação, é que atualmente mais pessoas morrem por problemas associados à sobrepeso e obesidade, como a diabetes, do que de fome ou desnutrição. 

Esta cultura foi e é tão importante em nosso país durante nossa colonização, pois era o principal produto de exportação por um grande período. Cultivado e processado por escravos africanos e indígenas, enriqueceu famílias brancas européias e outras já instaladas no Brasil. Um outro enorme resultado do ciclo açucareiro, foi a instalação de alambiques, para a produção do produto destilado da cana, popularmente conhecido como cachaça. Bebida que participou fortemente no mercado de escravos, através de trocas de escravos por bebidas destiladas.

O resultado destas drogas legais, obtidas a partir desta planta em estado de legalidade, gerou e ainda gera muito lucro à alguns grupos sociais e estados específicos. Por outro lado, gera efeitos negativos na sociedade latino americana, especialmente as nativas das américas que foram extintas e as últimas remanescentes.

Hoje, vemos os resultados de um produto historicamente marcado pelo controle, não ter mudado muito de situação, dependência e tristeza para pessoas e um meio enriquecedor para pequenos grupos ou algo do tipo . Ainda hoje o alcoolismo resulta em mais de 3 milhões de mortes humanas todos os anos. Estes fatos, trazem reflexões sobre a incongruência da proibição da utilização da Cannabis para fins medicinais ou industriais, e a permissão do consumo adulto de bebidas destiladas no mesmo período histórico. 

Sobre outra planta, a Cannabis, já é alternativa e umas das solução para o alcoolismo, visto que, dados de diferentes estudos nos mostram informações sobre a capacidade da redução do consumo de álcool por dependentes  através do uso desta planta, fato que se justifica importante pelo alto custo individual do paciente e para a sociedade ocasionada pelo consumo do álcool. 

Nicotiana tabacum

O tabaco, diferentemente da cana-de-açúcar, já era difundido em todo o continente americano antes da infortuna chegada dos europeus.Este fato levou os religiosos ortodoxos a verem este vegetal com muita desconfiança, porém, rapidamente o consumo foi generalizado pelos colonizadores.

Autores colocam que o consumo do tabaco já era global no início do século XVII.Porém, assim como os vegetais citados na edição anterior deste artigo,  ele também foi disseminado com algumas resistências. Como cita Carlos Eduardo Martins Torcato, em sua tese de doutorado, “Em países não produtores a reação a esse hábito alcançou graus extremos de violência. Inúmeras penas – morte, mutilação, etc – foram criadas em várias partes do mundo – Rússia, China, Império Otomano, Europa Oriental – sem sucesso.”

O tabaco, era no Brasil colonial, o produto mais importante de exportação após o açucar. Levando o país a ter um volume de comércio de tabaco e destilados superior  ao britânico no século XIX. Hoje, esta droga é consumida por grande parte da população mundial, com um alto poder viciante, acarretando, através de seu uso contínuo, inúmeras doenças e males à saúde humana não só do consumidor, mas também dos terceiros à volta e aos bebês em gestação.

Um estudo canadense, sobre a substituição de drogas lícitas e ilícitas pelo uso terapêutico de Cannabis, resultou em uma substituição completa, ou seja, desistência do hábito do tabagismo, de 50,7% dos pacientes estudados. Este estudo é extremamente importante, visto que o consumo de tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas no mundo todo ano.

Nosso papel, como sociedade, é refletir sobre nossos hábitos e verificar qual o contexto histórico que estes foram construídos e formados, observando quais vantagens trazem e a quem. É importante discutirmos o controle dessas drogas que nos habituamos a consumir durante nossa trajetória neste planeta, mais ainda quando os males são maiores que os prazeres que nos proporcionam. 

A Cannabis, neste contexto, demonstra ter um enorme potencial no tratamento do vícios destas drogas e outras. Ainda, apresenta diferentes potenciais medicinais para a espécie humana e outros animais, como já descritos em textos anteriores (análgesicos, uso medicinal e outras utilizações). 

O estado de ilegalidade desta cultura não demonstra resultados positivos na sociedade brasileira. Além da abstinência do potencial capital desta continuar estimulando uma guerra que há muito está falida, resultando em mortes de pessoas em classes menos favorecidas de nosso país.

Já temos as informações e o conhecimento que confirmam  a melhora na saúde e bem estar dos pacientes usuários da Cannabis medicinal, além dos benefícios sociais, econômicos e ambientais da legalização da Cannabis, também sabemos que o mito que esta é uma erva rodeada de males é uma falácia de um pobre senso comum, obtido de uma propaganda norte americana do século passado e que foi reproduzida ao redor do globo. Em nossa modernidade, momento onde a saúde humana e do meio ambiente são pautas de extrema urgência, a ilegalidade da produção desta cultura torna-se um ato historicamente criminoso.

Adwa Cannabis

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Uma empresa de desenvolvimento de pesquisas e tecnologias voltadas para a cadeia produtiva de Cannabis.