Uso Medicinal da Cannabis

A ANVISA aprovou a venda de medicamentos a base de Cannabis em farmácias e com isso o Brasil deu um primeiro passo no caminho da acessibilidade à saúde de milhões de pessoas que dependem deste tipo de substância. A proposta que passa a valer 90 dias após sua publicação (11/12/2019), tem duração inicial de três anos, sendo necessário prescrição médica para a compra desses medicamentos. Estima-se que esta medida irá reduzir parcialmente os custos, já que a matéria prima poderá ser importada em escala industrial e na forma de extrato. No entanto, é perceptível que a redução de custo é pequena comparada ao que seria possível caso o plantio da matéria prima também pudesse ocorrer no país. A proposta que previa o cultivo nacional, que havia previamente sido aprovada, foi arquivada sob alegação da não competência da agência em relação à regulamentação das operações de cultivo.

O uso medicinal da Cannabis é muito antigo e os primeiros registros  datam do ano de 2737 a.c na China mas apenas nos anos 90 o assunto tomou o meio científico, com grande quantidade de pesquisas produzidas. A descoberta do Sistema Endocanabinóide (SE), um complexo sistema responsável pela homeostase de diversos outros sistemas fisiológicos, reforçou a importância destes estudos devido a possibilidade no tratamento de várias doenças utilizando de medicamentos a base de canabinoides.

O início dos estudos sobre os efeitos medicinais dos canabinoides se deu com a descoberta do Canabidiol (CBD) em 1963 e no ano seguinte do ∆9 tetraidrocanabinol (THC) e as interações desses fitoterápicos com nosso sistema imunológico pelo Professor Raphael Mechoulam e sua equipe em Israel. Nestes estudos foi constatado pela equipe a ligação desses compostos a receptores específicos CB1 e CB2. A ativação e/ou bloqueio destes receptores existentes nas células de diversos sistemas fisiológicos, por compostos como o THC, CBD, THCa, CBDa, CBG dentre outros mais de 70 canabinóides, produzem efeitos que podem trazer alívio para um sintomas de várias doenças.

Desde essa grande descoberta, houve um  aumento contínuo na citação destes temas em publicações, teses e dissertações movimentando o meio científico em torno deste assunto e possibilitando avanços cada vez mais significativos. Pesquisas mais atuais apresentam resultados positivos da ação dos canabinóides em doenças neurodegenerativas, no sistema cardiovascular, intestinal, na pele, ossos e até no sistema reprodutor.  Além de ter aplicações em recuperação de tratamentos mais fortes, como sua aplicação para recuperação de quimioterapia, reduzindo dores e estimulando o apetite nos pacientes. Apesar dos resultados promissores que os estudos dos últimos anos têm apresentado ainda faltam evidências como estudos clínicos prospectivos e duplo cego para que se comprove de fato sua eficiência e torne-se um consenso médico.

Novos estudos mostram a possibilidade do uso dos canabinoides no tratamento de doenças como artrites crônicas, dermatites, diabetes tipo II, doenças inflamatórias e até mesmo em doenças como a AIDS. Em pesquisas mais recentes, descobriu o papel de canabinóides imunossupressor no sistema imunológico, inibindo a proliferação de leucócitos e induzindo a morte celular de células patológicas. Esse tipo de tratamento tem alto potèncial medicina pois utiliza um mecanismo diferente dos esteróides que já são utilizados nesses tratamentos, que por sua vez tem fortes efeitos colaterais. Além dos medicamentos terem um custo mais reduzidos nos países em que sua venda é regularizada.

Os medicamentos à base da Cannabis também têm um grande potencial no tratamento de patologias neurológicas como Esclerose Múltipla, Doença Alzheimer, Síndrome de Parkinson, Epilepsia, Autismo, Glaucoma, Fibromialgia, Esclerose Lateral Amiotrófica, Síndrome de Huntington, Síndrome de Tourette, Dor Neuropática, além de outras que vêm sendo avaliadas diariamente em diferentes centros de estudos de países mais desenvolvidos. O tratamento pode ajudar no quadro evolutivo e/ou ajudar no controle dos sintomas que em algumas situações dificultam muito as atividades diárias dos pacientes.  Esses medicamentos também apresentam um notório potencial no tratamento de diferentes tipos de câncer como câncer de próstata, câncer de mama, câncer de estômago, câncer retal, linfomas, neuroblastoma, glioblastoma, além de dar suporte à quimioterapia.

A liberação da venda de medicamentos a base de Cannabis no Brasil irá ajudar a muitas famílias tornando o acesso mais rápido, mas ainda de forma muito restritiva, visto que esses medicamentos terão um custo muito elevado comparativo ao que a produção interna poderia proporcionar. Essa medida dá o primeiro passo nesse longo caminho da acessibilidade dos pacientes a esses tipos de tratamentos de eficácia já comprovada. A ADWA acredita que valorizar o potencial brasileiro para cultivo é a melhor estratégia para garantir o acesso e assim prover melhores condições aos pacientes.

 

Equipe ADWA Cannabis

Adwa Cannabis

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Uma empresa de desenvolvimento de pesquisas e tecnologias voltadas para a cadeia produtiva de Cannabis.